A função do espaço é uma das principais características para um projeto arquitetônico e /ou urbanístico, porém a plasticidade, a beleza, a forma está em mesma escala de valor seja para um espaço pequeno, privado ou mesmo público.

Será que nós não temos profissionais capacitados, criativos suficientes e que possam apresentar boas soluções para intervenções de um projeto urbano?

Tenho certeza que sim! Existem excelentes profissionais. E minha pergunta é por que então surgem “coisas” na paisagem urbana feitas de qualquer jeito, que não parecem ter sido feitos, pensados, planejados por arquitetos?

Quando se fala de criticas, quem está envolvido não gosta, mas esse post será um chamado para consciência, porque se aceitarmos o que temos, de qualquer jeito, não é assim que teremos um progresso nas nossas cidades.

Poderia citar exemplos de muitas cidades nacionais, cidades grandes, mas vou me restringir a Santos, cidade onde moro atualmente.

Os “Santistas roxos”, expressão da vaca “roxa”, que me desculpem por tomar Santos como exemplo dessa postagem.

Vamos começar falando de nossas calçadas, será que seu desenho como percurso para o pedestre, transeunte foi pensado corretamente o seu o caminhar? Talvez tenha sido um tempo atrás! Não me refiro nem as calçadas antigas estreitas, construídas no início do século passado, onde a rua era do pedestre, o automóvel não tinha sua vez.

Vou me referir as calçadas junto a orla, cercada pelo jardim maior do mundo, as calçadas de bairros.

Ou será que que são as ciclovias que estão invadindo os espaços utilizados para o pedestre? Tudo bem ter ciclovias, tudo bem enaltecer uma alternativa de transporte. Mas o que venho observando é exatamente isso. O pedestre está sendo esquecido, não tem um espaço para o seu caminhar fluido, um percurso sem ser interrompido. E olha são muitas interferências. Sem falar nas faixas de pedestres que não estão em sintonia com as travessias, os semáforos e as rampas de acessibilidade.

São tantas interferências que daria para fazer um post enorme só falando delas, com exemplos de vários cruzamentos.

E falando do descuido, da falta de profissionalismo, a escolha do desenho impresso, o visual escolhido para estampar nossas calçadas foi muito infeliz. Há quem goste! Porém é um modulo de desenho que não tem continuidade, não compõe uma plasticidade agradável.

Muitos itens compõe a paisagem urbana, inclusive as edificações, suas fachadas, volumetrias e cores.

Só para citar, quem é de Santos conhece, gostaria de saber, que beleza tem um povo gigante caindo sobre o mezanino de um edifício da orla? Sem ofender quem criou aquela ideia, mas será que foi por plasticidade ou para chamar atenção?

E falando em mobiliário urbano, entre os muitos itens compõe esse requisito, temos os chafarizes.

Nada contra em ter chafariz, aliás acho lindos, quando são feitos com critério, plasticidade e projeto. Podem trazem muita beleza e harmonia para uma praça por exemplo.

Vejamos um exemplo não feliz, situado no centro. Eu costumava apresentar as pessoas de “manjar”. Isso mesmo, as pessoas davam risadas. Talvez fosse o doce preferido de quem criou, eu não sei a história, o porquê dessa escolha. No meio de uma praça importante colocaram um manjar gigante. É o que parecia quando o avistava dentro de um ônibus que é mais alto que um automóvel.

O insucesso da forma escolhida, transformou o chafariz em um canteiro. Isso mesmo não é mais chafariz virou um canteiro de grama. Poderiam pelo menos terem feito um paisagismo para dá uma disfarçada!

As fotos foram capturadas pelo google Strret view 2012 e 2015

chafariz-santos

E os exemplos não terminam ai.

São muitas coisas feitas que nem deveriam ter sido feitas. O descaso debaixo de nosso nariz, a total falta de consciência. Sem abordar interesses diversos. É um contra censo. Quem faz também desfruta do resultado.

E com essa continuidade de pensamentos, esse vício instalado no consciente de que qualquer coisa serve, está tudo certo, tanto faz, ao invés de progredirmos estaremos regredindo e destruindo nossa paisagem urbana.

Será que queremos ser reconhecidos por uma paisagem degradante ou será bem melhor se formos reconhecidos com algo funcional e belo. O mundo tem exemplos de sobra de bons resultados.

Vale a pena um pouquinho de consciência, um pouquinho de profissionalismo, um pouquinho de comprometimento com o todo para reverter esse caus que já está instalado e melhorar significantemente a qualidade urbana de nossas cidades.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s