Outro dia recebi uma mensagem inbox, de um colega, refiro-me  a um colega por ter a mesma profissão, mas na verdade não o conheço e ele estava vendendo projetos “reutilizáveis”.

Projetos que servem pra todo mundo! Como assim?

Aquela mensagem me deixou bastante chateada, primeiro pela concorrência, poderia dizer desleal e segundo por saber o quanto o mercado de arquitetura ainda é muito pouco explorado.

Segundo uma pesquisa do próprio CAU, Conselho de Arquitetura e Urbanismo, se não me falha a memória, somente em torno de 4% contratam um arquiteto. 4%! Será por falta de conhecimento por parte da população que não sabe exatamente o que se trata o trabalho de um arquiteto?

Voltando a mensagem que recebi, a proposta desse arquiteto, vendendo plantas, projetos, pré concebidos,  a um preço muito “acessível”, “facilitando” inclusive a vida dos outros colegas. Esses projetos só precisariam editar algumas portas ou janelas e ajustar um comprimento e pronto. Onde está o propósito desse projeto, a concepção arquitetônica, todo o repertório necessário para uma resposta formal de ser único?

Infelizmente tem construtoras que fazem muito isso, repetem a planta, rebate, gira aqui e ali e pronto.

A concepção do projeto levando em conta todas as condicionantes topográficas, geológicas, climáticas, de insolação, conforto térmico nesses casos aqui citados são literalmente ignoradas. E se tratando de projeto, o espaço físico e geográfico é só um item de uma listagem de procedimentos e condicionantes para a concepção de um projeto.

O projeto tem que ser único, para cada caso, para cada situação, para cada usuário, para cada necessidade, para cada sonho.

Mesmo se tratando por exemplo  de apartamentos é possível trabalhar uma planta, um projeto para que fique confortável, adequado minimamente em boas condições para o usuário, embora muitas vezes as condicionantes são ainda mais restritas, envolve a especulação imobiliária e tal.

Agora imagine um projeto que foi pensado em todas as suas particularidades, explorado em seus detalhes projetuais, na insolação na piscina, no usuário com seus desejos e particularidades, na forma, aparência, o que tecnicamente chamamos de partido, teve seu tempo de maturação, não é um projeto único?

Vitruvio, um arquiteto do período greco Romano, já naquela época, cria o tratado da arte edificatória, hoje conhecido nos livros de arquitetura como tratado de Vitrúvio. Nesse tratado ele colocava a prática e todo o processo que um arquiteto deveria seguir e conhecer para uma boa arquitetura, para um bom projeto. Os conceitos eram muitos mais rígidos que os nossos atuais, a arte da geometria, filosofia e muitas outras ciências e disciplinas deveriam estar interligadas. O conhecimento dos materiais, seus recursos, a salubridade e muitas outras particularidades era exigido pela prática da profissão. Para ele o produto deveria ser útil, bonito e estável.

O porquê de um projeto, o para quem  são desejos, necessidades, sonhos individualizados que faz um projeto ser único.

Pense nisso! Reflitam!

APRESENTACAO1-1
croqui feito por mim, estudo de uma residência com uma topografia muito particular

 

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