A casa o abrigo do homem, foi tema do meu trabalho de graduação, há vinte anos atrás.
A arquitetura não foi a minha primeira formação, mas a arquitetura foi o começo de uma nova jornada, inclusive com coisas que eu não imaginava.
A casa sempre é o local para onde voltamos. Mesmo que tenhamos férias, em lugares maravilhosos, sempre retornamos.
Se eu fosse fazer novamente a minha tese de graduação, eu realmente incluiria muitas outras coisas, que a maturidade vem me mostrando.
Na graduação ficamos muitos presos a conceitos, a seguir certos padrões. E tive ótimos orientadores, sou grata a todos eles, e onde ele estiverem, não é mais o plano terrestre, que possam receber minha gratidão.
A casa não é somente um abrigo do homem. Esse já seria o primeiro ponto que eu completaria minha tese.
E olha que minha tese foi super completa, abordei muitas coisas, tipos de morar do passado até o presente, tipos construtivos, padrões urbanísticos, fio muita coisa que eu já estava até me perdendo em conseguir sintetizar tudo para caber na minha tese.
A casa, o espaço, seja o morar ou trabalhar, ela influencia em nossas vidas de maneira fisiológica e psicológica.
O psicológico e fisiológico está diretamente conectado. A ciência já tem como comprovar o quanto o meio pode interferir em comportamentos, sentimentos e emoções. É claro que não é só isso. O ser humano que habita é complexo por si só. Os sentidos são “portais”, o repertório de vida, o aspecto cultural, a essência de cada um, fazem o ser humano ser extremamente complexo.
Mas do que nunca, a casa, ou a construção que seja, não pode ser pensada somente como construção. Como um “abrigo” de paredes e teto onde são exercidas as diversas atividades, como Le Corbusier colocava como “a máquina de morar”. É claro, que não se pode criticar nem um nem outro, os conceitos que cada tempo defendiam como sendo o “certo”.
Cada “estilo”, cada filosofia, cada tipologia teve seu momento em situações e contexto que poderiam ser defendidas como a “correta” para tal época.
Não se trata de tipologias. Também são importantes, mas a casa é muito mais.
Ela é “viva”. Interagimos com ela. Interagimos em cada detalhe, em cada textura, em cada cor, nas visuais (ou falta delas), no layout organizado, em toda a complexidade que exige para “abrigar” um ser tão complexo.
Coisas que ainda me intriga muito é ver muitos empreendimentos que visam apenas o lucro e não na qualidade de vida das pessoas. E não são poucos e não são baratos, tem custo para poucos. E imagina os que são mais acessíveis.
O próprio plano diretor “estimula” em muitos casos, “renovação urbana”, construções de arranha-céus onde a tecnologia é o limite.
Chega um momento da vida, acredito que muitas pessoas passam por isso, de querer realmente ter seu “refúgio”, onde a qualidade de viver vale mais do que qualquer outra coisa.
Em centros urbanos, dentro do que é possível de ser feito, ainda assim pode se fazer muitas coisas, mas o olhar não está com esse foco. São poucos que tem esse olhar, são poucos que prezam realmente pela qualidade de vida.
As imagens foi um “exercício” que fiz para uma pousada, um refugio que muitas pessoas buscam para ter um tempo em apreciar a natureza, parar por um momento.
Foi um exercício, mas eu fiz com todos os cuidados necessários. E inclusive poderia ser uma casa para morar. Pensei no layout, tudo otimizado, nas visuais, o entorno, tudo. O espaço era real,e o brifing era real.



